- O fabrico de chocalhos, arte centenária, é Património Cultural Imaterial da UNESCO desde 2015 e tem salvaguarda anunciada, tornando-se referência cultural e turística na Ovibeja.
- A empresa Chocalhos Pardalinho, da vila das Alcáçovas, Viana do Alentejo, celebra o centenário e é destaque pela sua dimensão cultural, artística e financeira.
- Em 2023, a empresa faturou cerca de 150 mil euros, mas enfrenta dificuldades para formar novos chocalheiros, que exigem o 12.º ano para aceder a apoios de formação.
- O responsável Guilherme Maia critica a recusa do Governo de baixar o IVA dos chocalhos de 22% para 6%, após promessa feita durante a campanha eleitoral.
- O chocalho é visto como “GPS do rebanho” pela capacidade de identificar o gado pelo som; a candidatura UNESCO visa preservar a atividade e atrair turistas, com apoio da ACOS-Associação de Agricultores do Sul que alimenta o programa VIP da visita à fábrica.
Da vida rural à UNESCO. O fabrico de chocalhos é apresentado como património cultural imaterial desde 2015, com salvaguarda urgente reconhecida. Na Ovibeja, a arte chocalheira ganha destaque cultural, artístico e financeiro.
A empresa Chocalhos Pardalinho, na vila das Alcáçovas, Viana do Alentejo, celebra o seu centenário. A marca já foi liderada por Zé Pardalinho, que aos 82 anos passou a Guilherme Maia e a Francisco Cardoso a condução da fábrica.
Apesar do volume faturado ter chegado a 150 mil euros no ano anterior, surgem entraves à continuidade. A formação de novos artesãos depende de formação recente com o IEFP, condição que não está a atrair interessados, segundo Guilherme Maia.
O debate sobre o IVA dos chocalhos também gerou insatisfação. O Governo foi alvo de críticas por ter recusado uma proposta de baixar o IVA de 22 para 6%, apresentada durante a campanha de 2022 pelo então candidato Luís Montenegro.
O chocalho distingue-se pela qualidade do fabrico, pelo uso de latão e pela afinação. O som funciona como uma ferramenta de identificação do rebanho, aproximando o instrumento da ideia de GPS para o gado.
No âmbito da candidatura a património da UNESCO, foi assumido um compromisso de preservação da atividade. Guilherme Maia lembra, no entanto, que, passados os anos, não houve execução prática dessa salvaguarda.
A candidatura também é vista como motor de atracção turística para a fábrica. A presença de visitantes aumentar o conhecimento da técnica e da história associada à arte chocalheira.
Quanto ao papel da ACOS, Guilherme explica que a instituição tem apoiado o certame desde 1997, contribuindo com condições de participação e aquisição de chocalhos para visitantes VIP.
Este ano, a ACOS adquiriu uma centena de chocalhos para reforçar o programa de visitas e o interesse pela arte tradicional, segundo o gerente da Pardalinho.
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