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A arte da tradução: entrevista com a jurada Sophie Hughes

Sophie Hughes, jurada do International Booker Prize 2026, afirma que a tradução funciona como coautoria, expandindo leitores e horizontes literários

Tradutora literária e jurada do Prémio Internacional Booker 2026 Sophie Hughes
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  • No Dia Mundial do Livro, surge a entrevista com Sophie Hughes, jurada do Prémio Booker Internacional 2026, sobre a arte e o futuro da tradução literária.
  • A tradução é descrita como “um livro escrito duas vezes”; o tradutor é quase coautor, recebendo metade do valor do prémio e do reconhecimento pela obra.
  • A tradução amplia horizontes de leitores e comunidades literárias, promovendo autores e obras que, de outra forma, não teriam acesso em línguas novas.
  • Questiona-se o papel da IA na tradução: ainda longe de substituir tradutores humanos, com retraduções por parte de editoras para ganhar eficiência.
  • O vencedor do Prémio Booker Internacional 2026 será anunciado a 19 de maio, na Tate Modern, em Londres; a lista inclui obras de Daniel Kehlmann, Marie NDiaye, Yáng Shuāng-zǐ, Ana Paula Maia, Rene Karabash e Shida Bazyar.

A Dia Mundial do Livro abriu espaço para uma conversa com a tradutora e jurada Sophie Hughes, figura central do International Booker Prize 2026. A entrevista aborda a prática da tradução literária, o papel dos tradutores e o impacto da tradução na leitura global, em especial na ficção traduzida.

Hughes enfatiza que a tradução não é apenas transferir palavras, mas recriar sentidos, tons e contextos entre línguas distintas. Num livro traduzido, a decisão criativa cabe ao tradutor, que assenta o texto em duas línguas para chegar a leitores de culturas diferentes. Por isso o prémio reconhece o tradutor como coautor.

Ao longo da conversa, fica claro que o papel do tradutor se estende à construção de comunidades de leitores e de escritores internacionais. Traduza, interpreta e aproxima obras que de outra forma permaneceriam inacessíveis a públicos de língua inglesa, expandindo horizontes e estimulando o debate.

Tradução como coautoria e alcance global

Para Hughes, a tradução amplia o acesso à ficção contemporânea mundial, enriquecendo conversas e debates sobre culturas diversas. Ela cita casos onde escolhas linguísticas potenciam significados de forma única, elevando a qualidade literária de uma obra traduzida.

Desafios e evolução da prática

A tradutora relembra que, ao longo de décadas, a percepção da tradução mudou: passou de focar o que se perde para valorizar o que se ganha com a mediação. A prática é cada vez mais vista como interpretação criativa, com o tradutor a atuar quase como ator na encenação do texto.

Impacto na comunidade de leitores e escritores

Hughes destaca que tradutores atuais promovem autores junto de editoras e leitores, por meio de ensaios, entrevistas e apresentações. O texto traduzido cria ligações entre culturas e alimenta o entusiasmo de comunidades leitoras diversas.

Futuro da tradução diante da IA

Sobre a IA, afirma que, embora haja retraduções para eficiência, as máquinas não substituem a sensibilidade humana. A leitura de obras traduzidas continua a exigir ligação humana, imaginação e contexto cultural que as ferramentas não oferecem plenamente.

A lista de finalistas do International Booker Prize 2026 inclui obras de autores como Daniel Kehlmann, Marie NDiaye, Yáng Shuāng-zǐ, Ana Paula Maia, Rene Karabash e Shida Bazyar, com traduções a cargo de equipas distintas. O vencedor será anunciado na terça-feira, 19 de maio, numa cerimónia na Tate Modern, em Londres.

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