- O pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza ficará vazio, após o Governo sul-africano cancelar a instalação vídeo escolhida para representar o país.
- Ainda assim, a instalação Elegy, de Gabrielle Goliath, será apresentada fora do perímetro da bienal, na Chiesa di Sant’Antonin, em Veneza, de 4 de maio a três meses.
- A apresentação fora do espaço expositivo resulta de apoios da Fundação Bertha e do centro de artes Ibraaz, com patrocínio de uma rede de colaboradores.
- A decisão de cancelamento gerou críticas, incluindo a artista Ângela Ferreira, e envolve controvérsia ligada ao ministro da Cultura da África do Sul, Gayton McKenzie.
- A Bienal decorre entre 9 de maio e 22 de novembro; Portugal será representado por Alexandre Estrela, enquanto há carta de artistas a pedir a exclusão de Israel.
Foi anunciada a apresentação de Elegy, instalação de Gabrielle Goliath associada à África do Sul, em Veneza, ainda que o pavilhão sul-africano na Bienal tenha sido cancelado. A obra será exibida fora do perímetro oficial da mostra, na Chiesa di Sant’Antonin, em Veneza, a partir de 4 de maio, durante três meses.
A decisão resulta de uma parceria entre a artista, a Fundação Bertha (fundação sul-africana de apoio a ativistas pelos direitos humanos) e o centro de artes Ibraaz, que acolherá a instalação em Londres, em outubro. O conjunto de apoio financeiro e institucional viabilizou a continuidade da obra fora do espaço da bienal.
O cancelamento da participação de Gabrielle Goliath, anunciado em janeiro, teve como base reservas expressas pelo ministro dos Desportos, Artes e Cultura da África do Sul, Gayton McKenzie, que qualificou a instalação como extremamente divisiva. O governo sul-africano recusou também encontrar substituto para representar o país na mostra.
A peça Elegy, criada originalmente como um lamento fúnebre por mulheres mortas em contextos de violência racial ou sexual, apresenta sete cantoras que alternam uma nota prolongada entre grito e prece. A obra também aborda as vítimas da violência histórica na região da Namíbia e do Kha Younis, incluindo referências a genocídios e à violência contemporânea na África do Sul.
Gabrielle Goliath sustenta que a apresentação em Veneza tem uma significação crucial diante do precedente aberto pelo cancelamento. Ela já enfrentou um processo judicial relacionado com a decisão de não marcar a presença na bienal, mas mantém o objetivo de manter a obra acessível ao público, mesmo fora do recinto.
A 61.ª Bienal de Veneza tem a sua abertura prevista para 9 de maio e decorre até 22 de novembro. Portugal é representado por Alexandre Estrela, que integra a comunidade de artistas que assina uma carta aberta pedindo a exclusão de Israel da bienal, numa posição de crítica à eventual cumplicidade da instituição com a situação na Palestina.
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