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Enfermeira acusada de sacar 8 mil euros a doente com lepra

Enfermeira-chefe do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro (CMRRC) – Rovisco Pais é acusada de peculato por desvio de 7.921,90 euros de utente com lepra

Hospital Rovisco Pais, Tocha
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  • Uma enfermeira-chefe do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro (CMRRC) – Rovisco Pais, na Tocha, é acusada pelo Ministério Público de peculato por se apropriar de 7.921,90 euros de um utente de 85 anos.
  • O doente, portador de lepra (doença de Hansen) com limitações físicas, estava internado há mais de três décadas e recebia vales postais que a enfermeira levantava com uma procuração.
  • Entre março de 2020 e setembro de 2021, os pagamentos à instituição não eram realizados, o que levantou suspeitas e levou a polícia a intervir.
  • A arguida devolveu o montante em quatro traves, alegando atraso devido à pandemia de Covid-19; a Polícia Judiciária não ficou esclarecida com a justificação.
  • A unidade onde o crime ocorreu, antiga leprosaria inaugurada em 1947, mantém ainda dois utentes com cerca de 90 anos que sofreram com a lepra.

Uma enfermeira-chefe do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro (CMRRC) – Rovisco Pais, na Tocha, é acusada pelo Ministério Público de peculato. A fraude envolve 7.921,90 euros pertencentes a um utente de 85 anos, internado na instituição há mais de três décadas.

Em 2019, a enfermeira passou a ser responsável pelo levantamento mensal da pensão de reforma do utente, portador de Hansen (lepra) e com dificuldades físicas para deslocar-se aos CTT. Dispunha de uma procuração que lhe dava acesso ao valor mensal atribuído pela Segurança Social.

O procedimento previa que, após o levantamento, uma parte fosse destinada a despesas do doente, e o restante fosse entregue aos serviços financeiros da instituição. Entre março de 2020 e setembro de 2021, o pagamento à instituição deixou de ocorrer, gerando suspeitas na contabilidade.

A arguida, hoje com 64 anos e residente na Figueira da Foz, devolveu o montante em quatro prestações, alegando atraso pela pandemia. A Polícia Judiciária do Centro não aceitou a justificação, mantendo a investigação.

Contexto institucional

No passado, o levantamento de dinheiro era feito pelas freiras da Congregação de São Vicente Paulo. Com a mudança de residência para Lisboa, a enfermeira passou a assumir a tarefa, sendo, à data, a única utente com lepra na unidade.

Património e legado da unidade

A instituição é uma antiga leprosaria, inaugurada em 1947 e ainda hoje alberga dois utentes com cerca de 90 anos, ex-hansenianos, que permanecem com sequelas da doença.

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