O ex-presidente dos Bombeiros de Lourosa, Joaquim Cardoso, vai a julgamento em junho no Tribunal da Feira, acusado de desviar indivíduos obrigados a trabalho comunitário para obras privadas. O MP envolve-o em três crimes de abuso de poder.
Cardoso presidiu a Associação Humanitária dos Bombeiros de Lourosa durante 12 anos, até a demissão em 2019. A acusação sustenta que, entre fevereiro e março de 2014, desviou dois arguidos que deviam cumprir serviço comunitário para trabalhos em residências de que dizia ser proprietário ou em empresas onde era sócio-gerente.
Segundo o MP, os trabalhadores subordinados ao protocolo com a DGRSP foram usados em tarefas de manutenção e construção civil, recebendo em troca uma suposta “excelente classificação final”. O Ministério Público diz que houve finalidade lucrativa para Cardoso e as suas sociedades.
O MP também acusa Cardoso de ter adquirido por 750 euros um autotanque da corporação, determinando que fosse vendido para abate e usado na rega de terrenos da sua empresa. A viatura permaneceu com registo na associação durante cerca de cinco anos para beneficiar da isenção do imposto.
Em 2018, Cardoso foi condenado, em multa, por importunação sexual, envolvendo uma mulher condenada a cumprir trabalho na associação. O ex-líder demitiu-se em 2019, após pressão de 52 operacionais que protestaram pela gestão da direção e pela não recondução de elementos do comando.
Acusações e contexto
O caso envolve alegadas vantagens ilícitas obtidas por Cardoso em benefício próprio e das sociedades de que era sócio-gerente. A defesa ainda não se posicionou publicamente sobre as acusações apresentadas pelo MP.
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