- Paquistão realizou ataques aéreos durante a noite no leste do Afeganistão, alegando ter visado militantes após um ataque contra o quartel-general da Rangers em Karachi.
- O ministro da Informação paquistanês disse que as operações terrestres seguintes resultaram na morte de 25 militantes, concentradas em esconderijos do Jamaat-ul-Ahrar.
- Islamabad afirma que os ataques seguiram-se a ataques de precisão no leste do Afeganistão, dirigidos ao Jamaat-ul-Ahrar, uma facção dissidente do Taliban paquistanês.
- O governo afegão reporta dezenas de vítimas civis nos bombardeamentos, que Cabul classifica como ataque externo, negando qualquer refúgio de militantes em território afegão.
- O incidente ocorre numa escalada de violência entre Paquistão e Afeganistão, com uma trégua frágil desde março e altos custos humanos para civis, agravados por ataques transfronteiriços e operações militares.
O Paquistão revelou ter realizado ataques aéreos durante a noite no leste do Afeganistão, alegando que visaram militants. A operação seguiu-se a um ataque mortal no fim de semana contra o quartel-general regional da força Rangers, na cidade portuária de Karachi. O governo afegão aponta dezenas de vítimas civis.
Segundo o ministro paquistanês da Informação, Attaullah Tarar, as ações incluíram ataques terrestres transfronteiriços que tiveram como alvo o Jamaat-ul-Ahrar, facção dissidente do TTP. A operação foi descrita como focada nos esconderijos desse grupo. Em Cabul, as autoridades talibãs contestaram a versão paquistanesa.
Tarar afirmou que três alvos foram destruídos em Paktia, Paktika e Kunar, com ataques de precisão. O objetivo seria eliminar bases do grupo, sem atacar civis. Islamabad sustenta que a ofensiva não visou o território afegão como tal, mas abrangeu apenas santuários insurgentes.
Em Kabul, o governo taliban denunciou os bombardeamentos como ataques a zonas civis. Zabihullah Mujahid, porta-voz dos talibãs, qualificou a ação de agressão cobarde e reiterou que não reconhecem o Afeganistão como refúgio de militantes. As autoridades afegãs mantêm a posição de negação.
Este incidente intensifica um conflito que já dura desde fevereiro, com fricções que se estendem pela fronteira. As forças paquistanesas e afegãs mantêm uma trégua frágil desde março, mas ocorrências esporádicas de violência continuam a ocorrer. O balanço humano tem sido desanimador para civis em ambas as margens.
Contexto regional
A escalada acontece num momento de tensões entre Paquistão e Afeganistão desde a tomada de poder pelos talibãs. Responsáveis afegãos mencionam impactos significativos em comunidades civis, enquanto o Paquistão defende a necessidade de combater o extremismo interno. A ONU já apontou deslocações massivas como consequência indireta.
A fronteira entre os dois países continua, em grande parte, encerrada devido à violência transfronteiriça. Diversos esforços de mediação internacional, incluindo a China, não consolidaram ainda uma solução diplomática estável. O cenário permanece permeável a novos choques entre as partes.
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