- Economicamente, o consenso aponta que o Brexit prejudicou a economia britânica, com o Office for Budget Responsibility (OBR) a estimar queda de produtividade e previsões de que as exportações e importações com a União Europeia serão, a longo prazo, cerca de quinze por cento mais baixas.
- Houve alguns benefícios marginais, como acordos de comércio com a Índia, mas, segundo os especialistas, não tiveram impacto relevante na economia global do Reino Unido.
- Em imigração, a promessa de reduzir significativamente o número de imigrantes não se confirmou: a imigração da União Europeia caiu, mas a de fora da UE aumentou, mantendo números elevados.
- A burocracia não diminuiu de forma significativa: o Brexit não trouxe uma redução expressiva de regulamentação; a indústria continua sujeita a regras para manter a segurança e a conformidade.
- Em segurança, a cooperação com a União Europeia ficou mais difícil, com obstáculos adicionais para partilha de dados e cooperação policial, apesar de não ter ocorrido uma quebra catastrófica.
Desde o referendo de 2016, o Reino Unido seguiu o percurso do Brexit, num processo marcado por negociações longas e turbulência política. A análise da Euronews, através da equipa Cubo, revisita promessas da campanha Leave e Remain.
Ao longo de dez anos, o debate persiste sobre se a saída foi vantajosa para a economia, a imigração, a fronteira irlandesa e a segurança. Pesquisas recentes sugerem uma leitura predominantemente negativa.
A Euronews avaliou afirmações-chave da campanha de 2016 e o seu desenrolar desde então, confrontando previsões com dados disponíveis até hoje.
Economia sob pressão
A defesa da permanência argumentava que a saída derrubaria a economia britânica. Em 2016, o então ministro das Finanças, George Osborne, previa choque económico e aumento do desemprego.
O Observatório de Responsabilidade Orçamental (OBR) aponta queda de produtividade, emissões de comércio com a UE reduzidas a longo prazo e impacto limitado de novos acordos com fora da UE. Os números são, segundo especialistas, densos e em parte incertos.
Portes, professor de economia, diz que o consenso aponta para danos económicos. Estimativas variam entre 3% e 5% do PIB, com alguns cenários chegando a 8%.
Apesar de alguns ganhos marginais com acordos fora da UE, como com a Índia, o efeito agregado na economia britânica tem sido negativo, segundo a análise citada.
Imigração: promessas vs realidade
Os defensores do Brexit prometeram reduzir a imigração líquida, especialmente de cidadãos da UE. A saída da livre circulação levou a uma queda da imigração UE, mas o total aumentou por razões de fora da UE.
Dados do Migration Observatory indicam imigração líquida da UE negativa desde 2022, com 42 mil saídas a mais do que entradas em 2025. A imigração total aproximou-se de 944 mil em 2023, caindo para 171 mil em 2025.
Portes afirma que as promessas sobre o fim da livre circulação e um sistema baseado em competências foram, em boa medida, cumpridas, mas o objetivo de reduzir a imigração não foi atingido. A pressão global de migração externa ajudou a compensar o recuo.
English alerta para não demonizar o Brexit; muitos fatores globais contribuíram para o aumento da imigração externa à UE, incluindo respostas a conflitos e regimes educacionais.
Burocracia e regulação
Defensores do Brexit diziam que o Reino Unido ganharia liberdade regulatória ao deixar a UE, livre de regras comuns. David Cameron alertava que o regresso de burocracia seria iminente.
Dados indicam que o Reino Unido manteve grande parte das normas europeias para evitar custos adicionais às empresas. A cooperação regulatória com a UE permaneceu relevante, mantendo o Reino Unido como um parceiro comercial importante.
Analistas destacam que houve aumento do trabalho governamental em áreas regulatórias durante o período de implementação do Brexit, mas não houve retrocesso claro na burocracia.
Segurança e cooperação europeia
Entre as polémicas, May defendia que a saída deixaria o país menos seguro contra terrorismo e crime, por perder acesso a bases de dados europeias. O tema revela que o Reino Unido ficou fora de sistemas como Schengen II, Eurodac, e redes de Europol/Eurojust.
Especialistas reconhecem obstáculos à cooperação transfronteiriça, embora não identifiquem uma falha catastrófica. A cooperação continua, porém com maior peso burocrático e algumas dificuldades logísticas.
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