O Egito assinou um acordo com a QatarEnergy e a ExxonMobil para transportar gás cipriota offshore até às unidades egípcias de liquefação, com o objetivo de exportar para a Europa. O memorando envolve estudar como desenvolver o gás descoberto perto de Chipre através da infraestrutura egípcia existente. A assinatura contou com o Ministério do Petróleo e dos Recursos Minerais do Egito.
O acordo estabelece a QatarEnergy no centro de um esforço regional para ligar os campos offshore de Chipre às instalações de exportação do Egipto e aos compradores europeus. O objetivo é explorar modelos comerciais que utilizem a rede de gás egípcia para abastecer mercados internos e internacionais.
Chipre não possui capacidades próprias de liquefação, pelo que o gás extraído precisa de ser enviado por gasoduto submarino até ao Egito, onde é processado e liquefeito antes de chegar à Europa. O país tem vindo a avançar com autorizações que marcam uma passagem da exploração para o aproveitamento comercial.
O Itens-chave do acordo anunciados em abril incluem o compromisso de vender, por 15 anos, todo o gás natural recuperável do campo Afrodite à Egyptian Natural Gas Holding Company, com opção de extensão por mais cinco anos. Isso fortalece o papel do Egipto como via de escoamento do gás cipriota.
A parceria entre QatarEnergy e ExxonMobil já existe em Chipre, nomeadamente no Bloco 10, onde as descobertas Glaucus, em 2019, e Pegasus, em 2025, mostram reservas combinadas estimadas em cerca de 7 mil milhões de pés cúbicos. A viabilidade comercial foi confirmada para ambos os campos.
O presidente-executivo da QatarEnergy, Saad Sherida Al Kaabi, descreveu o acordo como um passo importante para ampliar a cooperação energética na região do Mediterrâneo Oriental. A rota para a Europa surge num contexto de diversificação de fornecedores após as perturbações decorrentes da invasão russa da Ucrânia.
A Europa pode beneficiar desta via adicional de abastecimento proveniente do Mediterrâneo Oriental, embora os analistas ressaltem que o gás cipriota por si só não resolverá o equilíbrio energético europeu. O plano encontra-se numa fase inicial, sem decisão final de investimento nem definição de detalhes operacionais.
Se o objetivo de 2028 for alcançado, estarão reunidas as condições para as primeiras exportações de gás de Chipre e para uma nova rota de abastecimento rumo à Europa. O processo depende de ligações infraestruturais, acordos comerciais e aprovação regulatória.
Entre na conversa da comunidade