- O Irão apresentou aos Estados Unidos um plano de paz de 14 pontos, que visa transformar o cessar-fogo num acordo definitivo em cerca de 30 dias, com três fases distintas.
- O plano inclui o levantamento do bloqueio do estreito de Ormuz, o fim de sanções, o pagamento de compensação pelos danos da guerra e um novo mecanismo de gestão do tráfego naval; EUA e Israel não atacariam o Irão ou os seus aliados.
- O tema nuclear continua a ficar de fora das negociações, tal como os 400 quilos de urânio enriquecido apresentados como garantia.
- O Presidente norte-americano, Donald Trump, permanece céptico sobre a proposta iraniana, sugerindo que Teerão ainda não pagaram “um preço suficientemente alto” e deixando a porta entreaberta a uma possível retoma de hostilidades.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, manteve uma ronda intensa de conversas por telefone com líderes de vários países, apresentando o plano e tentando obter apoio internacional para uma solução rápida.
A administração dos EUA não confirmou ainda se acolhe a proposta de paz iraniana, apresentada na sexta-feira ao longo de uma rede de interlocutores. Donald Trump afirmou, sem revisar o plano na íntegra, que o Irão ainda não pagou um preço suficiente. Não houve resposta formal de Teerão até ao começo da semana.
Entretanto, o Irão mantém o argumento de que a sua proposta pode encerrar o conflito em 30 dias. O país defende o fim do bloqueio do estreito de Ormuz, o levantamento de sanções e a compensação por danos, condicional à não ataque por parte de EUA e Israel. O conteúdo foi partilhado pela media estatal iraniana.
Diálogo diplomático em curso
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, iniciou uma ronda de contactos com responsáveis de várias regiões. Entre sexta-feira e domingo, falou com líderes da Turquia, Qatar, Arábia Saudita, Egipto, Iraque, Azerbaijão, Rússia, Coreia do Sul, Japão, França, Itália e Omã.
O objetivo foi apresentar um plano de 14 pontos, que propõe três fases para transformar o cessar-fogo num acordo duradouro. O texto sugere gerir o estreito de Ormuz sob novo mecanismo, com circulação estável e sem retomar o status anterior.
Condições e limitações
O Irão insiste na suspensão de sanções e no levantamento de restrições para atrair apoio internacional. Exige que EUA e Israel se comprometam a não atacar o Irão ou os seus aliados. Em aberto fica a discussão sobre o programa nuclear, que continua fora da atual negociação.
Na esfera internacional, há quem veja uma mudança de tom da China, da Rússia e da Europa face a Washington, na esteira da escalada do conflito. A imprensa britânica destaca preocupações com o impacto nos preços da energia e com a necessidade de um regresso à cooperação regional.
Reação dos EUA
Trump mantém a posição de que a situação é sensível e que o país pode retornar a ações militares se necessário. O presidente indicou que não pretende adiar decisões de alto impacto, enquanto analisa as propostas iranianas e as possíveis respostas congressuais.
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