- Em Antália, a Turquia reuniu líderes de cerca de 150 países numa cimeira para enfrentar crises globais e promover vias alternativas ao Estreito de Ormuz.
- Erdoğan destacou a emergência de uma diplomacia de potências médias e regionais, com encontros entre líderes do Médio Oriente, Ásia Central, Europa, América do Sul e outros.
- Um foco central foi explorar vias rápidas para contornar Ormuz, com o Corredor Central (TITR) a ser visto como rota estratégica entre Ásia e Europa, incluindo apoio à conectividade energética.
- Participantes, entre eles Egipto, Paquistão, Qatar, Emirados, Arábia Saudita, Azerbaijão, Geórgia, Ucrânia e Síria, discutiram parcerias regionais e projetos de infraestrutura e comércio.
- A cimeira também abordou a moderação estratégica, reforma das Nações Unidas e cooperação multilateral para enfrentar perturbaciones nas cadeias de abastecimento e desafios de segurança globais.
A Turquia organizou em Antália uma cimeira que reuniu líderes de 150 países para debaterem crises globais, apresentar alternativas ao Estreito de Ormuz e evidenciar a crescente influência das potências médias. O encontro ocorreu num momento de tensões regionais e reorganização geopolítica.
Entre os participantes estiveram chefes de Estado e representantes do Egito, Síria, Paquistão, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Azerbaijão, Cazaquistão, Geórgia, Moldova, Ucrânia e outros, além de uma delegação do Irão. Os encontros incluíram reuniões bilaterais e debates amplos sobre segurança, economia e desenvolvimento.
A cimeira surgiu num contexto de crise de trajeto de desenvolvimento e de incertezas globais, com Erdoğan a enfatizar que as instituições internacionais enfrentam dificuldades em responder aos desafios atuais. O objetivo é construir vias de cooperação entre potências médias para soluções conjuntas.
Alternativas ao Estreito de Ormuz
Durante o encontro, a mediação turco-árabe-paquistanesa avançou na guerra do Irão, com foco em soluções regionais para o Estreito de Ormuz. O Qatar participou numa reunião trilateral com Erdoğan e o primeiro-ministro paquistanês para debater desenvolvimentos na região.
Os debates destacaram a exploração de rotas alternativas, nomeadamente o Corredor Central, também designado TITR, que liga a China ao continente europeu via Cáucaso e Turquia. A rede ferroviária e marítima é indicada como rota estratégica com potencial de reduzir dependência de vias de alto risco.
Corredor Central como via vital
O TITR é visto como futuro eixo de conectividade entre mercados energéticos e logísticos. O Azerbaijão e a Geórgia explicaram o papel central do Cáucaso no desenvolvimento da rede, incluindo ligações com o Mediterrâneo e o Adriático. A ideia é ligar o Cáucas ao Ocidente.
O secretário-geral da Organização dos Estados Turcos destacou que o Corredor Central pode oferecer rotas mais eficientes, seguras e económicas, especialmente em contextos de perturbação das cadeias de abastecimento.
Perspetivas regionais e conectividade
O Azerbaijão e a Arménia discutem a cooperação no âmbito do projeto TRIPP, uma rota de trânsito energético. A Geórgia apresenta-se como ponte entre a Europa e a Ásia, visando reforçar a conectividade energética e comercial com o Azerbaijão.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia salientou que estudos de viabilidade estão em curso com parceiros dos EUA, enquanto o primeiro-ministro georgiano reiterou o papel do seu país como centro de trânsito e ligação entre continentes.
Síria e o papel estratégico
O presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, afirmou que o país pretende tornar-se uma rota alternativa para energia e mercadorias, conectando o Golfo, a Turquia e o Mediterrâneo. Damasco sinalizou interesse em participar no Quatro Mares e em projetos de conectividade regional com a Turquia.
O encontro ocorreu num momento de reorganização regional, com Kiev e Damasco a explorar cooperações em economia, energia e segurança, ampliando a parceria trilateral com a Turquia. A parceria estratégica entre Ucrânia, Síria e Turquia foi discutida para reforçar a estabilidade regional.
Moderção estratégica e reformas
O Fórum discutiu também como reforçar a responsabilidade dos atores globais na ordem internacional. O presidente do Cazaquistão apelou à reforma da ONU para aumentar eficiência e credibilidade, destacando a necessidade de maior moderação entre lideranças.
Entre na conversa da comunidade