- A Comissão Europeia enviará uma delegação a Budapeste na sexta-feira para iniciar as conversações com o futuro governo da Hungria, após a derrota de Viktor Orbán.
- A porta-voz Paula Pinho disse que haverá uma primeira reunião com colegas da Comissão em Budapeste para começar as conversações e conhecer as posições do novo governo.
- Os responsáveis ressaltaram que o tempo é curto para dossiês como o empréstimo à Ucrânia e os fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, com avanço rápido como objetivo.
- O oleoduto Druzhba deverá estar operacional até ao final de abril, segundo as declarações da Comissão.
- A UE mantém fundos húngaros congelados por violações do Estado de direito, com 7,6 mil milhões de euros em fundos de coesão e 10,4 mil milhões do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, num contexto de 16 anos de tensões entre Bruxelas e Budapeste; o novo governo venceu as eleições legislativas com o Tisza a liderar.
A Comissão Europeia vai enviar, amanhã, uma delegação a Budapeste para iniciar conversações com o próximo governo da Hungria, após a derrota de Viktor Orbán e de vários anos de desentendimentos entre Bruxelas e Budapeste. A iniciativa visa começar a diálogo sobre vários dossiers, antes de o governo tomar posse formalmente.
A porta-voz Paula Pinho confirmou, em Bruxelas, que a delegação se deslocará a Budapeste para dar início às conversações com o futuro executivo da Hungria. A representante indicou ainda que a ação responde ao anúncio feito pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, de trabalhar com o novo governo assim que possível.
Os contactos vão permitir perceber as posições do próximo Governo e avançar, sempre que conveniente, com medidas concretas. Não foram detalhados os temas a tratar nem quem integra a delegação, mantendo o foco na rapidez do processo.
O tempo é visto como crítico para vários dossiers, incluindo o empréstimo a Ucrânia e os fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência. A Hungria e a UE procuram avançar sem perder tempo, num cenário de 16 anos de tensões entre Bruxelas e Budapeste.
Além disso, a Comissão indicou que o oleoduto Druzhba deve manter funcionamento até ao final de abril, no contexto de negociações sobre o apoio financeiro à Ucrânia. A atualização surge dias depois de a UE ter dito que só libertaria os fundos congelados com mudanças políticas na Hungria.
A UE mantém retidos 7,6 mil milhões de euros dos fundos de coesão e 10,4 mil milhões do MRR destinados à Hungria, devido a violações do Estado de direito, corrupção e direitos fundamentais. Estas cifras explicam o interesse europeu em acelerar o diálogo e o desbloqueio de fluxos financeiros.
As eleições legislativas na Hungria deixaram uma mudança histórica no parlamento. O partido Tisza, liderado por Peter Magyar, venceu, derrotando Orbán, que governava há 16 anos. O Fidesz obteve 55 lugares, enquanto o Tisza ganhou 138 cadeiras, a maior maioria já alcançada no parlamento húngaro.
Quase 80% dos cerca de oito milhões de eleitores participaram, refletindo um resultado que rompeu com a liderança de Orbán e abre potencial para novas vias de cooperação entre Budapeste e Bruxelas. O novo governo deverá enfrentar a gestão de fundos europeus e questões de política externa e de Estado de direito.
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