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Presidente sírio nega ter pedido retorno de 80% de sírios na Alemanha

Mal-entendido entre Sharaa e Merz gera incerteza sobre o regresso de sírios na Alemanha, afetando a perceção de integração e futuras políticas migratórias

O chanceler alemão Friedrich Merz (à esquerda) recebe Ahmed al-Sharaa, presidente do governo de transição sírio
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  • O presidente sírio interino Ahmed al-Sharaa esclareceu, em Londres, que não defendeu que 80% dos sírios na Alemanha regressem ao país; a ideia terá sido do chanceler Friedrich Merz durante a visita a Berlim.
  • Merz afirmou que, a longo prazo, nos próximos três anos, cerca de 80% dos sírios na Alemanha deveriam regressar, posição que Al-Sharaa rejeita.
  • O presidente sírio disse que não apoia que sírios bem integrados na Alemanha abandonem as suas carreiras; afirmou que muitos estudaram em universidades alemãs e trabalham em empresas locais.
  • Dados da Agência Federal de Emprego indicam que 320.000 sírios estão empregados na Alemanha, 266.100 contribuem para a segurança social; muitos recebem o apoio ao rendimento básico que substitui o subsídio de cidadania.
  • Em agosto de 2024, 518.000 sírios receberam subsídios de cidadania (353.000 em idade ativa e 165.000 menores de 15 anos); sírios representavam 21,5% dos suspeitos de infrações penais, com maior incidência em crimes violentos.

Ahmed al-Sharaa clarificou, em Londres, que não manifestou a intenção de ver 80% dos sírios na Alemanha regressarem à Síria. A afirmação foi atribuída por erro ao presidente interino sírio durante a visita a Berlim, onde o tema central foi o regresso de imigrantes sírios.

Durante a passagem por Berlim, o chanceler alemão Friedrich Merz tinha indicado que, a longo prazo, cerca de 80% dos sírios na Alemanha poderiam regressar ao país. Al-Sharaa explicou depois, em Londres, que esse valor não correspondia ao seu desejo nem ao de eventuais políticas sírias. A comunicação inicial gerou confusão entre as autoridades.

Ainda em Berlim, a Al-Jazeera reportou que Al-Sharaa não apoiava que sírios bem integrados nessa diáspora desistissem das suas vidas na Alemanha. O presidente interino sublinhou que muitos sírios formaram carreiras e estudaram em universidades alemãs, defendendo que o conhecimento adquirido possa beneficiar a Síria se investirem no seu país.

Contexto na Alemanha

Dados da Agência Federal de Emprego indicam que aproximadamente 320 mil sírios estão hoje empregados na Alemanha, com 266 mil sujeitos a contribuições para a segurança social. A população síria também recebeu benefícios de cidadania, com 518 mil cidadãos reconhecidos até agosto de 2024, incluindo 353 mil ativos e 165 mil crianças e jovens.

No entanto, esses números coexistem com pressões de integração e com a existência de apoio ao rendimento básico para muitos migrantes sírios. Segundo o relatório oficial, 21,5% dos suspeitos de infrações penais em 2024 eram sírios, face a uma referência de crime que gerou debates públicos no país.

Repercussões entre refugiados

A notícia sobre a possibilidade de regresso de 80% causou inquietação entre muitos sírios na Alemanha, que temem alterações no estatuto migratório ou mudanças no reconhecimento de laços permanentes com o país de adoção. Trabalhadores, estudantes e novos residentes expressaram preocupações sobre o futuro de suas vidas no país.

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