- Entre 1 e 24 deste mês, foram perfazidas apenas 149 travessias pelo estreito de Ormuz, o que representa uma descida de 95% face ao período de paz, segundo a Kpler.
- Destas travessias, 94 foram efetuadas por petroleiros e navios metaneiros; 61% estavam carregados e mais de dois terços seguiam para leste, para fora do estreito.
- Entre os navios que atravessaram, destacam-se o Artman e o Kiazand (pavilhão iraniano) e o Lenore (sancionado); o Jasmin também atravessou no sentido inverso, para um porto iraniano, e o Newvoyager, chinês, atravessou após pagamento a autoridades iranianas.
- A Lloyd’s List sustenta que há um corredor alegadamente aprovado por Teerão, contornando a ilha de Larak, designado como uma espécie de “Portagem de Teerão”, com mais de 20 navios a usá-lo.
- Mais de quarenta por cento dos navios que transitam pelo estreito estão sob sanções; 57% dos petroleiros e metaneiros também. O petróleo que atravessa o estreito segue maioritariamente para a Ásia, principalmente a China, com uma média de about 1,3 milhões de barris por dia a início deste mês.
A atravessagem do estreito de Ormuz continua marcada pela escassez de navios desde o início do conflito israelo-palestiniano. No período anterior a 28 de fevereiro, apenas um pequeno número de cargueiros e petroleiros, na sua maioria iranianos, conseguiu passar por esta rota estratégica que liga o Golfo à entrada do Golfo de Omã. A via, com 167 quilómetros de comprimento, tem vindo a registar um recuo acentuado no tráfego desde o início das hostilidades.
Dados da empresa de análise Kpler indicam que, entre 1 e 24 deste mês, até às 04:00 (TMG), foram registadas 149 travessias, correspondendo a uma queda de 95% face ao período de paz. Destas, 94 eram petroleiros e navios metaneiros; 61% estavam carregados e mais de dois terços seguiam para leste, fora do estreito.
Tráfego e navios em destaque
Na segunda-feira, travessaram o estreito dois navios com pavilhão iraniano, o Artman e o Kiazand, bem como o petroleiro Lenore, sujeito a sanções dos EUA. O Jasmin também atravessou no sentido inverso, com destino a um porto iraniano após zarpar de Carachi. Um porta-contentores chinês, o Newvoyager, atravessou após pagamento alegadamente feito às autoridades iranianas, mas o montante e as regras de pagamento não foram confirmados.
Rotas e controlo de Teerão
A Lloyd’s List aponta que as travessias recentes seguiram sobretudo uma rota supostamente autorizada por Teerão, contornando a ilha de Larak. Foram identificados mais de 20 navios a usar este corredor, maioria armadores gregos, com alguns indianos, paquistaneses e sírios. A publicação refere que o tráfego está a ser redirecionado para águas iranianas, prática apelidada de Portagem de Teerão, com verificações e, em alguns casos, cobrança de um right de passagem.
Perfis de navios e sanções
A maior parte dos navios que atravessaram o estreito está sob pavilhão iraniano, seguida por armadores gregos e chineses. A análise indicou que, apesar do controlo contínuo por parte do Irão, o tráfego permanece globalmente paralisado. Desde o início do conflito, mais de 40% dos navios em passagem estão sob sanções de Estados Unidos, União Europeia ou Reino Unido.
Destinos e impactos no petróleo
Analistas do JPMorgan referem que grande parte do petróleo que atravessa o estreito está destinada à Ásia, especialmente à China. Observadores apontam para sinais de saída de grandes metaneiros bloqueados na região. Enquanto isso, carregamentos de GNL com destino à Europa foram desviados para a Ásia, em contexto de oferta limitada e subida de preços. Em termos globais, a 1,3 milhões de barris por dia era o fluxo médio de petróleo iraniano observável no início deste mês.
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