O artigo analisa a popularidade de MrBeast, com 484 milhões de subscritores no YouTube e um património líquido estimado em 2,6 mil milhões de dólares, e o impacto da sua filantropia. A discussão centra-se na relação entre ações de caridade e a monetização do conteúdo.
Entre os projetos de caridade, destaca-se o canal Beast Philanthropy, que afirma doar 100% dos lucros da publicidade, merchandising e patrocínios para ajudar terceiros. Foram referidos exemplos como centenas de cirurgias de cataratas, uma clínica para crianças resgatadas da escravatura e cem poços em África.
A polémica envolve também o que é visto como exploração em vídeos que expõem participantes a situações degradantes para obter retorno financeiro. Em conteúdos como Ages 1 – 100 Decide Who Wins $250,000, são apresentados concorrentes a condições competitivas extremas, com relatos de sofrimento emocional.
As controvérsias estendem-se ao programa Beast Games, disponível no Prime Video, que utiliza desafios para gerar tensão emocional e revelar situações de privação entre os participantes. Paralelamente, surgem acusações laborais envolvendo a empresa MrB2024 e outras produtoras associadas à produção de conteúdos.
Recentemente, uma antiga funcionária da Beast Industries apresentou uma queixa por assédio sexual e discriminação de género, envolvendo duas empresas de produção associadas à empresa de Donaldson. As contestações apontam para más condições de trabalho, atrasos na distribuição de medicação e deficiências em práticas de prevenção de assédio.
O debate ético sobre a filantropia de Donaldson pode ser visto sob duas perspetivas. Do lado consequencialista, avalia-se se os benefícios de cirurgias e projetos sociais justificam potenciais condições exploratórias. Do lado kantiano, questiona-se se tratar pessoas como meios para fins defensáveis ou não, mesmo com fins nobres.
Independentemente das motivações, a prática de vídeos filantrópicos continua a reforçar a imagem pública de Donaldson e a ligar a filantropia à monetização de conteúdos. Observa-se uma tensão entre a generosidade divulgada e as críticas sobre consentimento e poder no contexto de conteúdos de grande audiência.
Especialistas em ética destacam ainda o risco de despolítica de temas como pobreza, saúde e água potável quando reduzidos a entretenimento viral. Algumas leituras sugerem que depender de vídeos virais pode mascarar falhas estruturais que exigem ações coletivas e reformas institucionais.
Exclusivo: a análise é apresentada por Paul Formosa, professor e director do Departamento de Filosofia na Macquarie University, e co-diretor do Centro de Investigação em Ética e Agência. O texto destila questões de responsabilidade, poder e impacto social associadas às atividades do empresário digital.
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