- A ENTSO-E publicou o relatório final sobre as causas do apagão generalizado na Península Ibérica e parte do País Basco francês, que ocorreu em 2025 e fará um ano em abril.
- O documento aponta que flutuações de tensão desencadearam desconexões e sobretensões, levando à dessincronização da rede hispano-portuguesa com o sistema elétrico europeu.
- No estudo de perceção pública de 2026, 32,8% culpam a preponderância das energias renováveis no cabaz energético espanhol, enquanto 33,6% apontam falhas das centrais e desativação por protocolos de segurança e 43,3% atribuem o incidente a uma falha das centrais elétricas.
- Uma minoria, 10,7%, atribuiu o ocorrido a um ciberataque, teoria que foi afastada no dia do apagão.
- Um estudo da Fundação BBVA revela que 15% dos espanhóis questionam as alterações climáticas, com diferenças significativas consoante o nível de conhecimento científico e a orientação ideológica.
Após seis meses de investigação, a ENTSO-E publicou o relatório final sobre as causas do apagão generalizado na Península Ibérica e parte do País Basco francês, que completa um ano desde o incidente. O estudo de 472 páginas envolve quase 50 especialistas europeus e aponta falhas de flutuação de tensão como origem das desconexões e sobretensões que desencronomizaram a rede ibérica.
O documento detalha que os desequilíbrios elétricos geraram interrupções generalizadas e incoordenação entre a rede de Espanha e Portugal com o restante do continente. A conclusão reforça que o problema não está ligado apenas a falhas pontuais, mas a uma cadeia de fatores técnicos na operação da rede.
Perceção pública sobre energias renováveis
Em 2026, a Sigma Dos promoveu uma análise sobre a opinião pública em relação à energia solar, incluindo aspetos sobre alterações climáticas e o incidente de 28 de abril de 2025. Os dados mostram que 32,8% acusam a preponderância das renováveis no cabaz energético, enquanto 43,3% atribuem o apagão a falhas nas centrais ou a desconexões por segurança.
Cerca de 10,7% apontaram para ciberataques, teoria desmentida no dia do evento. A sondagem também revela diversidade de leituras entre partidos e frações eleitorais, com variações na perceção de riscos climáticos conforme o nível de conhecimento científico.
Especialistas destacam que o apagão ocorreu numa conjuntura de debates técnicos sobre encerramento de centrais e sobre a rede. Observam ainda que a narrativa pública sobre energias renováveis é multifacetada, refletindo tensões entre políticas, interesses regionais e pressões económicas.
Pere Jurado, especialista em comunicação climática, aponta uma desconexão entre valores sociais e ações governamentais, exacerbada por discursos alarmistas. O debate entre renováveis e nuclear permanece polarizado, influenciando a perceção pública e as políticas energéticas.
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