- A perita no caso entre Iker Casillas e a seguradora Fidelidade, e o FC Porto, afirmou que o treino em que o ex-jogador sofreu o enfarte pode ter sido um gatilho, mas não a causa primeira.
- A fiscalização/avaliação indicou que houve intensidade suficiente no exercício para precipitar a rutura de uma placa de aterosclerose, mas a doença subjacente seria a principal responsável.
- A especialista ressalvou que pode existir um intervalo temporal entre o esforço e o rompimento da placa e que o treino pode ter contribuído como gatilho, ainda que não haja coincidência temporal direta.
- Mesmo sem os sintomas prévia relatados, a perita manteve que a doença de base já existia e que o exercício podia ter acelerado o evento.
- O julgamento decorre no Tribunal do Trabalho do Porto, com Casillas a reclamar cerca de 3,7 milhões de euros à seguradora e ao FC Porto pela incapacidade para o trabalho resultante do enfarte.
A perita designada pelo Conselho Médico-Legal, no âmbito do processo em que Iker Casillas reclama 3,7 milhões de euros à Fidelidade e ao FC Porto, afirmou no Tribunal do Trabalho do Porto que o treino em que o antigo guarda-redes sofreu o enfarte pode terem sido um gatilho, mas não a causa principal do evento. O julgamento decorre em duas sessões.
A especialista explicou que a intensidade do exercício durante o treino de maio de 2019 foi suficiente para atuar como fator precipitante de uma rutura de placa aterosclerótica, porém a doença subjacente de arteriosclerose coronária permanece como a causa determinante. A placa podia ter rompido em recuperação, mesmo sem o esforço.
Cerca de 10% dos enfartes ocorrem em contexto de esforço físico, esclareceu a perita, que acrescentou que a presença de dislipidemia indica progressão provável da doença mesmo sem exercício. Foi ainda mencionado que pode haver atraso entre o esforço e a rutura da placa.
Desdobramentos no caso
A perita indicou que, caso Casillas não tenha sofrido o enfarte nesse dia, o evento poderia ter ocorrido noutro momento, em repouso. A médica referiu que a avaliação do risco após o enfarte aponta para um patamar muito elevado, incompatível com o regresso à alta competição. O processo tramita desde outubro de 2021.
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