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Chuteiras desenhadas para mulheres podem reduzir lesões

Estudo avalia se chuteiras desenhadas para mulheres reduzem lesões no futebol, face à biomecânica feminina e ao maior risco de rotura do LCA

Kika Nazareth é a grande estrela do futebol feminino português
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  • Estudo conjunto da Universidade de Essex e da Universidade Brunel de Londres analisa se o calçado desenhado para mulheres difere do masculino; 82% das atletas entrevistadas reportaram desconforto regular em 2023.
  • As queixas decorrem de chuteiras desenvolvidas para o pé masculino, tema que volta a ganhar relevância a poucos dias do Mundial de futebol masculino, que começa a 11 de junho.
  • A podologista Carla Ferreira afirma que adaptar o calçado à anatomia feminina é essencial para a prevenção de lesões, preenchendo uma lacuna histórica na medicina e ciência do desporto.
  • A biomecânica do pé feminino difere da masculina: arco plantar mais elevado, antepé mais largo e ângulo Q superior, o que aumenta a carga lateral sobre o joelho e o risco de lesões como ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA).
  • O ciclo menstrual pode agravar traumas no desporto, pois níveis elevados de estrogénio tornam os ligamentos mais frágeis; estudos indicam que as atletas têm entre duas a oito vezes mais probabilidade de rotura do LCA.

A chuteira desenhada para mulheres pode reduzir lesões, enquanto calçados adaptados ao pé masculino aumentam o risco. A alerta é feita por especialistas em podologia, no contexto de um debate que volta a ganhar força a menos de um mês do Mundial de futebol masculino. Em 2023, a Associação Europeia de Clubes observou que 82% das jogadoras da amostra relataram desconforto regular com o calçado utilizado em campo.

A investigação em curso envolve a Universidade de Essex e a Brunel University London para avaliar se o calçado feminino se ajusta melhor à distribuição de movimento, peso e atividade muscular das atletas. A podologista Carla Ferreira afirma que a personalização do calçado não é uma questão estética, mas uma necessidade para prevenir lesões.

A biomecânica do pé feminino difere significativamente da masculina. Em média, as mulheres apresentam arco plantar mais elevado, antepé mais largo e um ângulo Q superior, o que aumenta a carga lateral sobre o joelho. Tais diferenças elevam o risco de lesões como a rotura do LCA, quando o calçado não acompanha a morfologia feminina.

Biomecânica do pé feminino e lesões

Este cenário pode traduzir-se numa maior carga de esforço sobre articulações durante corrida e mudança de direção. Estudos indicam que chuteiras com sola rígida e morfologia não adaptada à mulher criam distribuição de pressão assimétrica, comprometendo estabilidade e potenciando lesões.

Carla Ferreira insiste que a adaptação do calçado à anatomia feminina tem consequências diretas no pé. Entre as potenciais condições associadas estão fascite plantar, metatarsalgias, neuromas de Morton e joanetes, agravadas por modelos inadequados para a forma do pé.

A propagação de padrões de marcha alterados pode, ainda, elevar as forças de impacto nas articulações do quadril e joelhos. Um estudo de 2014 já associava essa discrepância entre modelo de sola e morfologia feminina a maior probabilidade de lesões.

Impacto do ciclo menstrual

A podologista explica que o ciclo menstrual pode influenciar a suscetibilidade a lesões. Níveis altos de estrogénio na fase pré-ovulatória podem tornar ligamentos menos estáveis e mais propensos a roturas.

Dados recentes sugerem que atletas femininas têm entre duas a oito vezes mais probabilidade de sofrer uma rotura do LCA, com fatores hormonais a explicar parte da diferença face a atletas masculinos. A evidência reforça a importância de escolhas de equipamento adequadas.

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