- Em 22 de abril de 2026, a Muddy Waters Research publicou um relatório sobre a Sportradar, levando a uma queda de 22,6% nas ações num único dia, com investidores lesados e investigações de três reguladores a ocorrerem, enquanto o presidente executivo negou as alegações.
- O relatório afirma que investigadores, na ICE 2026, em Barcelona, se fizeram passar por operadores de uma nova casa de apostas e mostraram intenção de atuar em mercados onde as apostas online são ilegais, com executivos a apresentar produtos para esses mercados.
- Ligações identificadas entre a Sportradar e operadores como Stake.com, 188bet, 8xBet e FonBet sugerem potenciais impactos: entre vinte e quarenta por cento das receitas poderiam depender de operadores ilegais.
- Oiça de alerta remonta a 2020, quando a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa pediu separação entre serviços de integridade e dados comerciais, embora o modelo tenha sido mantido e promovido em fóruns internacionais, incluindo Portugal.
- Lições propostas: separar claramente serviços de integridade e de dados, ter monitorização independente, e intensificar a atuação regulatória para evitar que o modelo permaneça a permitir atividades ilegais.
A Muddy Waters Research publicou a 22 de Abril de 2026 um relatório que abala o setor desportivo e das apostas. O foco foi a Sportradar, suíça, promotora de integridade desportiva e parceira de grandes organizações. As ações da empresa caíram 22,6% num único dia. Reguladores anunciaram investigações. A Sportradar negou as alegações em carta aberta.
O relatório envolve uma operação disfarçada que simulou uma nova casa de apostas desportivas na ICE 2026, em Barcelona. Investigadores apresentaram-se como operadores e mostraram interesse em mercados onde as apostas online são ilegais. Segundo o documento, nenhum vendedor recusou o contato.
Entre as ligações indicadas estão Stake.com, alvo de ações nos EUA, 188bet com volumes estimados de 280 milhões de euros por jogo da Premier League, 8xBet associado a exploração laboral e FonBet ligada a indivíduos sancionados. A estimativa aponta que 20% a 40% das receitas dependem de operadores ilegais.
Contexto regulatório
O problema não é novo. Em 2020, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa aprovou um relatório sobre conflitos de interesses no modelo de integração entre dados desportivos e serviços de integridade, defendendo separação clara entre funções. A Sportradar participou em fóruns internacionais e iniciativas regulatórias, incluindo Portugal, segundo o relatório.
A análise sustenta que integrar comercialização de dados com monitorização gera riscos de credibilidade. As investigações independentes ao longo dos anos questionaram esse modelo e o papel de reguladores na supervisão de operações.
Lições e próximos passos
O texto aponta três lições: necessidade de separar serviços de integridade da comercialização de dados, reforçar a monitorização independente do desporto e atuar de forma mais eficaz sobre licenças que servem mercados ilegais. A imprensa não deve atribuir culpados antes de apurar responsabilidades.
O caso Sportradar indica um escrutínio crescente sobre como o desporto protege as competições face a redes de apostas ilegais. O desafio passa por equilibrar fontes de receita com mecanismos robustos de integridade e cooperação internacional.
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