- Rachel Entrekin, de 34 anos, venceu a Cocodona 250, uma ultramaratona de 412 quilómetros no Arizona, com o tempo de 56:09.49 horas, estabelecendo um novo recorde da prova.
- O registro anterior pertencia a Dan Green, com 58:47.18, e foi fixado em 2025; Entrekin já tinha sido a primeira mulher a vencer em 2024 e no ano anterior.
- Durante o percurso, Entrekin fez paragens curtas para acariciar cães e dormir pequenas sestas, totalizando menos de 20 minutos de sono.
- A investigadora Ester Alves sustenta que as ultramaratonas de trail são um campo onde as mulheres podem superiorizar-se aos homens, principalmente pela resistência e pela capacidade de recuperação.
- Alves explica que, em provas de endurance, as mulheres mantêm variáveis orgânicas durante horas, mantendo coordenação e ritmo, ao contrário de fases de maior degradação observadas nos homens.
A norte-americana Rachel Entrekin venceu a Cocodona 250, uma ultramaratona de 412 quilómetros no deserto do Arizona, ao completar 256,5 milhas em 56:09.49 horas. A prova estabeleceu um novo recorde geral, substituindo o anterior de 58:47.18.
Entrekin, de 34 anos, tornou-se na primeira mulher a vencer a corrida em 2024 e repetiu o feito este ano, também estabelecendo o recorde feminino. Durante o percurso, a atleta manteve pausas curtas, incluindo momentos para acariciar cães e dormir breves sestas, totalizando menos de 20 minutos de sono.
A investigadora Ester Alves, Doutorada em Exercício Físico, destacou que as ultramaratonas de trail running favorecem o desempenho feminino em comparação com o masculino, especialmente em provas de grande distância e condições extremas de calor e privação de sono.
Desempenho e estratégia
A prova da Cocodona 250 é reconhecida pela quase 400 quilómetros de percurso, com 2.817 metros de elevação e 11.828 metros de desnível positivo. Alves explica que a privação de sono é um dos maiores desafios, e Entrekin manteve ritmo estável com pouca interrupção do movimento, o que contribuiu para a resistência muscular.
Perspetivas científicas sobre o fenómeno
Segundo a pesquisadora, mulheres conseguem manter certas variáveis orgânicas por mais horas do que os homens, o que favorece a recuperação em provas longas. A resiliência, a tolerância à dor e a repetição de treino serão fatores-chave para o desempenho em endurance, afirma.
Entrekin é comparada por Alves a ultramaratonistas como Courtney Dauwalter, Claire Bannwarth, Stephanie Case e Jasmin Paris, atletas de referência na modalidade. A especialista realça que estas capacidades não se verificam igualmente em provas mais curtas, onde características explosivas são mais determinantes.
Contexto nacional e conclusão
Não há paralelos diretos com atletas portuguesas, segundo Alves, que aponta como fatores o atraso de entrada no trail running e a menor profissionalização. Ela acrescenta que, para alcançar o topo, é necessária uma forte base de treino ao longo de muitos anos.
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