- Joaquim Granger (1928-2026), o atleta olímpico português mais antigo, foi pioneiro da ginástica artística e deixou um legado no desporto nacional.
- Cresceu em Leiria, iniciou-se no Ginásio Clube de Lisboa, destacou-se nas argolas e integrou a comitiva aos Jogos de Helsínquia, em 1952.
- A preparação foi difícil: treino sobretudo às sextas, viagem de barco e doença durante a viagem, o que o obrigou a competir com menos energia inicial.
- Competiu em oito provas masculinas nos Jogos de Helsínquia e esteve presente nos Campeonatos da Europa de 1955 (Frankfurt) e de Paris, sempre com destaque nas argolas.
- Após a carreira, manteve-se ligado ao desporto como professor de Educação Física e ginástica, formando gerações e preservando as memórias da época.
Joaquim Granger (1928-2026), figura pioneira da ginástica artística em Portugal, faleceu este sábado em Lisboa, a cerca de um mês de completar 98 anos. O atleta olímpico mais antigo do país foi determinante no desenvolvimento da modalidade, especialmente numa época de restrições e carências de recursos.
Nascido numa aldeia de Leiria, Granger viu o pai, engenheiro químico e cavaleiro de referência, abrir-lhe horizontes para a ginástica com uma primeira exibição em Lisboa. A adolescência marcada pela curiosidade levou-o a Coimbra, e, em 1946, mudou-se para a capital, iniciando-se nas argolas e nos aparelhos mais tarde, aos 18 anos.
A manter-se fiel ao espírito amador da época, enfrentou um percurso marcado por treinos limitados, deslocações e dificuldades logísticas. Integrante da comitiva portuguesa nos Jogos de Helsínquia em 1952, destacou-se pela perseverança, superando uma gripe que o afastou da cerimónia de abertura e que o acompanhou durante parte do evento.
Legado
Granger treinava em condições reduzidas, com fisicidade e disciplina como principais ferramentas. Participou em oito provas masculinas na Finlândia, além de presenças nos Europeus de Frankfurt (1955) e Paris, sempre com elevada cotação nas argolas. Entre mudanças de clube em Portugal, contribuiu para o treino e para a passagem de testemunho à geração seguinte, também como professor de Educação Física no Instituto Nacional de Educação Física.
Durante a vida desportiva, organizou e assegurou, por vezes sozinho, viaturas, alojamento e alimentação para as equipas que o acompanhavam, demonstrando compromisso com a competitividade nacional. Guardou, até ao fim, medalhas, troféus e memórias — entre elas o casaco olímpico usado em Helsínquia, que recorda com orgulho.
A trajetória de Granger fica marcada pela capacidade de transformar limitações em oportunidades, abrindo caminho para o desenvolvimento da ginástica portuguesa a nível internacional e servindo de referência para atletas e docentes da área.
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