- Marie-Louise Eta, de 34 anos, foi nomeada treinadora principal do Union Berlim até ao final da época, tornando-se a primeira mulher a comandar uma equipa do “big five” europeu.
- Em Portugal, as treinadoras Helena Costa e Mariana Cabral consideram histórica a nomeação, mas veem como improvável replicar o feito no curto prazo no país.
- Costa diz que a Bundesliga é um contexto prático onde o que conta é a competência, não o género, destacando que Eta não é uma jogada de marketing.
- Cabral aponta barreiras em Portugal: falta de coragem dos clubes, cultura sexista, e dificuldades no acesso a licenciaturas de alto nível, com a ausência de mulheres no topo e até na Liga feminina.
- O presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol defende que a nomeação pode abrir portas para treinadoras portuguesas, mas lembra que o caminho ainda é longo e exige mudanças estruturais.
Marie-Louise Eta tornou-se, no fim de semana, treinadora principal do Union Berlim, na Bundesliga, tornando-se a primeira mulher a liderar uma equipa do “big five” do futebol europeu. A nomeação foi anunciada após a saída de Steffen Baumgart, numa jogada que coloca a técnica alemã aos 34 anos numa posição inédita no futebol masculino.
Em Portugal, as treinadoras Helena Costa e Mariana Cabral consideram o feito histórico, mas duvidam de que se repita tão cedo no país. Costa, atual diretora desportiva do Estoril, afirma que a Bundesliga é um contexto pragmático onde a competência prevalece, independentemente do sexo.
Contexto internacional
Eta chegou ao Union Berlim na última antevisão da época, com o clube a enfrentar objetivos de permanência na liga alemã. Diogo Leite, defesa português, está entre os jogadores do plantel que podem beneficiar com a visibilidade do momento.
Perspetivas em Portugal
Costa afirma que a decisão alemã não é uma jogada de marketing, mas uma aposta assente na competência técnica em alto nível. Ainda assim, reconhece que o caminho em Portugal é menos célere, com barreiras culturais persistentes.
Barreiras nacionais para o avanço
Mariana Cabral descreve o panorama português como altamente masculino, com pouca presença de mulheres em funções técnicas e dificuldades no acesso aos ciclos de licenciamento mais elevados. A técnico aponta a impossibilidade prática de avançar para o UEFA Pro em Portugal como entrave.
Impacto na visibilidade
Cabral considera a nomeação de Eta um momento positivo que aumenta a visibilidade do tema além do desporto. Para além da imprensa, o público passa a-associar o tema a uma discussão mais ampla sobre igualdade de género no futebol.
Olhos no futuro
Henrique Calisto, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, defende que a nomeação pode abrir portas para treinadoras nacionais no futebol masculino. O dirigente destaca que o primeiro passo passou por um cargo de adjunta, ainda ausente em Portugal.
Conclusão
O caso Eta reflete uma mudança de paradigma no futebol de elite, com impacto direto em debates sobre igualdade de género no país. Em termos práticos, continua a faltar coragem institucional e investimento em licenciamento para facilitar trajetórias similarly transversais.
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