- Francisco Montes, 24 anos, jovem com trissomia 21 e vice-campeão mundial de natação, trabalha na pizzaria Peco, na Foz do Douro, Porto.
- No turno das 11 horas, organiza a garrafeira, lava pratos, prepara caixas e pizas, identificando vinhos pelo cheiro.
- Chegou ao Peco através de um Plano Individual de Transição, do Agrupamento de Escolas Garcia de Orta; o estágio evoluiu para contrato de trabalho.
- Consegue conciliar o emprego com a natação de alta competição, treinando quatro vezes por semana; a equipa destaca a proatividade e evolução dele.
- O treinador aponta falta de enquadramento paralímpico para atletas com trissomia 21; Francisco traça como meta, para 2028, deixar a natação, trabalhar em tempo inteiro e casar-se.
Francisco Montes, 24 anos, surfa a linha entre o desporto de alto nível e a inclusão no quotidiano. Vice-campeão mundial de natação, o jovem com trissomia 21 trabalha numa pizzaria na Foz do Douro, Porto, onde demonstra autonomia e desafia estereótipos sobre a deficiência. O desenrolar da sua rotina mostra-se numa confluência entre trabalho, desporto e vida social.
A par da aposta desportiva, Francisco integra uma equipa de trabalho que lhe permite conciliar treinos e competição com as responsabilidades profissionais. O estágio surgiu no âmbito de um Plano Individual de Transição, evoluindo para contrato de trabalho estável na pizzaria Peco, gerida por Idalina Ferreira.
A entrada no mercado de trabalho
O turno começa às 11 horas, no Mercado da Foz, antes de o jovem entrar no restaurante. Entre organização de garrafeira, limpeza, preparação de cafés e tarefas de cozinha, ele demonstra método e atenção. A proprietária sublinha a proatividade e a constante evolução do colaborador.
A contratação surgiu com o objetivo de potenciar o talento de Francisco além do que já era reconhecido. A proprietária acrescenta a importância de equilibrar o trabalho com a prática desportiva, um aspeto que o próprio esforço também evidencia.
Integração no desporto e na comunidade
O clube e a família destacam a capacidade de Francisco para adaptar horários, mantendo a competição de alta performance. O treinador, que acompanha o atleta há mais de uma década, afirma que o sucesso atual resulta do trabalho, da dedicação e do compromisso.
A família descreve uma rede de apoio que envolve escola, treinadores e local de trabalho. A professora de educação especial sublinha que o percurso de Francisco é exemplar, com progressos em autonomia e integração laboral, resultados pouco comuns entre pessoas com trissomia 21.
Conclusões de percurso e perspetivas futuras
Ao longo do dia, a rotina do atleta inclui ainda deslocações independentes para a rotina de autocarro, com paragens numa florista habitual para presentes familiares. O treino de natação, realizado quatro vezes por semana, continua a exigir uma preparação física elevada.
O treinador aponta a necessidade de maior enquadramento competitivo e de apoios para atletas com trissomia 21, destacando que não existem programas paralímpicos específicos. Quanto ao futuro, Francisco ambiciona manter a dedicação desportiva e planeia ingressar no mercado de trabalho a tempo inteiro, com planos pessoais para 2028.
Entre na conversa da comunidade