- A FIFA não conseguiu obter isenção fiscal junto do Governo dos EUA para o Mundial de 2026, o que significa que várias selecções vão pagar impostos nos EUA durante o torneio.
- Quarenta e oito países vão ficar sujeitos a impostos caso não estejam abrangidos por acordos de dupla tributação com os EUA; Portugal mantém esse acordo desde 1995, para o imposto federal.
- O Brasil pode também ficar fortemente penalizado, com a federação a prever cobrir a carga fiscal adicional para o treinador e staff, embora os salários de jogadores não estejam abrangidos pelos acordos.
- O Mundial decorre entre 11 de junho e 19 de julho de 2026; o Guardian revela que selecções menores sem acordo ficam particularmente fragilizadas pela falta de isenção.
- O valor total de prémios para as 48 selecções é de €559 milhões, com o campeão a receber €42,6 milhões; há€1,28 milhões adicionais por federação para custos de preparação.
O Mundial de 2026 poderá ter diferenças relevantes na carga fiscal entre as seleções. A FIFA não conseguiu obter uma isenção de impostos junto do Governo dos EUA para as 48 equipas participantes, o que pouparia os países anfitriões. Ao contrário de Canadá e México, que já tinham acordo, a maioria das delegações terá de pagar impostos nos EUA.
Portugal, contudo, já tem acordo de dupla tributação com os EUA desde 1995. Esse acordo evita a tributação federal, mas não incide sobre impostos estaduais e municipais. A FIFA não paga impostos nos EUA desde 1994, ano do primeiro Mundial naquele país.
Para muitas selecções europeias, a isenção existe, mas não para todos. Segundo o Guardian, apenas a Bósnia e a Croácia não têm acordo com os EUA. Os acordos não cobrem ganhos de jogadores, apenas salários de treinadores e staff podem ficar isentos de dupla tributação. Quem não tem acordo paga impostos nos EUA e no país de origem.
A ausência de isenção afeta especialmente selecções mais pequenas, bem como alguns países africanos, asiáticos e de América do Sul. É prevista uma carga fiscal adicional sempre que jogarem em território norte‑americano. No Brasil, por exemplo, há expectativa de que a federação técnica cubra a possível obrigação fiscal adicional dos seus treinadores.
Para além dos resultados desportivos, a gestão fiscal é um elemento relevante para o orçamento das federações e do futebol local, aponta uma analista consultada pelo Guardian, que já trabalhou com a Federação Portuguesa de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol. A especialista alerta para a disparidade entre países com e sem acordos.
Prémios e repartição financeira
Em dezembro, a FIFA aprovou um prize pool total de 559 milhões de euros para o Mundial 2026, distribuído entre as 48 selecções. O mínimo garantido é de 7,7 milhões de euros para quem ficar na fase de grupos. Eliminadas nos 16 avos-de-final recebem 9,4 milhões e quem chegar aos oitavos soma 12,8 milhões.
Quem avança aos quartos leva 16,2 milhões; pelo caminho até a melhor posição, o quarto lugar recebe 23 milhões, o terceiro 24,7 milhões, o vice-campeão 28,2 milhões e o campeão mundial 42,6 milhões. Ainda há uma verba extraordinária de 1,28 milhões de euros destinada às federações para custos de preparação.
A crise fiscal associada ao torneio é comparável a acontecimentos no Mundial de clubes de 2025, quando prémios também estiveram sujeitos a tarifas nos EUA. A FIFA estima que, num universo de clubes, a taxa aplicada ao conjunto de prémios pode ter impacto relevante nos montantes globais.
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