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Edgar Morin: lembrança de um amigo que não esqueço

Edgar Morin manteve o compromisso cívico com Portugal, promovendo a publicação de um livro em homenagem à democracia e aos amigos que contribuíram para o processo.

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  • Edgar Morin acompanhou, desde os anos sessenta, o processo de construção da democracia em Portugal, próximo de António Alçada Baptista, Helena Vaz da Silva e de Mário Soares, com ligações ao Centro Nacional de Cultura.
  • Em celebração aos oitenta anos do Centro Nacional de Cultura, foi publicado o livro O Esplendor das Amizades – A Experiência Portuguesa de Edgar Morin, aprovado por várias vontades e recebido com alegria pelo pensador.
  • Morin via Portugal como exemplo paradigmático de democracia, participou em conferências e posições públicas e recordou a ligação aos capitães de Abril e ao Movimento das Forças Armadas.
  • Defendeu sete pilares do pensamento moderno: evitar erro e ilusão, ver o contexto e o conjunto, reconhecer unidade e diversidade, identidade planetária, enfrentar o inesperado, educação para compreensão mútua e ética do género humano.
  • O autor descreve ter entregue, em nome do Presidente da República, a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada a Morin, que desejava terminar os seus dias em Portugal entre amigos e na memória da democracia.

Edgar Morin, filósofo e sociólogo francês, morreu aos 104 anos em Paris, a 30 de maio de 2026. A notícia confirma o falecimento do pensador, amplamente reconhecido pela defesa da democracia e dos direitos humanos. Em Portugal, foi lançado no início deste ano o livro O Esplendor das Amizades – A Experiência Portuguesa de Edgar Morin, uma homenagem publicada pela Gradiva/Guerra e Paz, com apoio do Centro Nacional de Cultura.

A ligação de Morin a Portugal remonta aos anos 60. A amizade com António Alçada Baptista, iniciada a pedido de Jean Marie Domenach e da redação de Esprit, levou-o a conhecer Mário Soares e a incorporar o caso português entre exemplos democráticos. A Livraria Moraes e a revista O Tempo e o Modo foram marcos que moldaram o pensamento dele sobre a região.

Ao longo da carreira, Morin promoveu a ideia de uma democracia complexa e universal. Destacou sete pilares do pensamento moderno, que abrangem desde a prevenção do erro até uma ética do gênero humano e uma identidade planetária. O contributo dele orientou debates académicos e políticos, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990.

Reconhecimento e ligações institucionais

Morin integrou redes de apoio à democracia e à educação cívica em Portugal. Em reconhecimento à sua obra, recebeu distinções diversas e participou em iniciativas ligadas ao ensino da cidadania e à definição de políticas públicas. O pensamento do autor manteve-se presente em diálogo com figuras nacionais, incluindo membros de governos e instituições culturais.

Ao público português, Morin deixou ainda a memória de uma cooperação contínua com entidades portuguesas. Em várias ocasiões, foi apresentado como referência para entender a evolução democrática e a cooperação internacional para a paz e os direitos humanos. O legado dele permanece como referência na área das ciências sociais.

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