- Seis fintechs de São Paulo movimentaram 26 mil milhões de reais (4,41 mil milhões de euros) para o crime organizado PCC, em quatro anos.
- A revelação ocorreu durante a nova fase da Operação Carbono Oculto, denominada Fluxo Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.
- O esquema envolve adulteração de combustíveis com nafta, com 200 milhões de reais sonegados em dois anos, conforme investigadores.
- Ao todo foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná.
- Dois suspeitos principais, Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, estão foragidos; acordos de delação foram recusados pelo MP paulista por omissões de informações.
Dois grupos de investigaçāo explicam o papel das fintechs no esquema ligado ao PCC, que envolveu a ocultação de recursos provenientes do crime organizado no sector financeiro e de combustíveis. A operação Fluxo Oculto, fase da Carbono Oculto, avançou hoje com a colaboração da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo.
A Defense de dados indicou que seis fintechs sediadas em São Paulo movimentaram 26 mil milhões de reais para o PCC entre 2021 e 2024. O montante revela ligação entre lavagem de dinheiro e o comércio de combustível no Brasil. Ao todo, foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em cinco estados.
Detalhes do esquema
Entre 2022 e 2024, uma das fintechs recebeu depósitos em espécie que totalizaram 1 mil milhões de reais, montante considerado atípico pelos investigadores. Operadores financeiros, testa de ferro e indivíduos do setor de combustíveis estiveram entre os alvos.
Envolvidos e localização
Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado Primo, são apontados como articuladores do esquema. Ambos são foragidos e, mesmo fora do Brasil, firmaram acordo de delação com o Ministério Público da Bahia após recusa do MP paulista.
Contexto e impactos
A Carbono Oculto, iniciada em 2025, expõe a expansão do crime no ecossistema dos combustíveis, pagamentos e imóveis. A investigação também mostrou que novas empresas eram criadas para dispersar recursos e dificultar a fiscalização, com frequentes mudanças societárias.
Medidas regulatórias
O Governo brasileiro passou a exigir maior transparência de fintechs, equiparando-as aos bancos tradicionais. O Banco Central proibiu fintechs não licenciadas de usar termos como banco ou bank para evitar confusão no mercado. A ANP intensificou a fiscalização sobre postos de combustíveis e centros de distribuição ligados ao PCC.
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