Mariam Barghouti, jornalista palestiniana, denunciou que há termos que não podem ser usados pelos principais meios ocidentais, ainda que a perceção sobre Israel tenha mudado entre o público. Em conferência no CCCB, Barcelona, citou palavras como genocídio, ocupação, limpeza étnica e milícias israelitas como exemplos de linguagem proibida.
Aciau que a censura se manifesta de várias formas, destacando orientações recebidas por correspondentes de The New York Times, CNN e BBC, entre outros, para não utilizarem certos termos. Barghouti nasceu nos EUA, mas integra uma família palestiniana e trabalha para várias publicações internacionais.
Relatou dificuldades entre colegas repórteres em usar expressões como limpeza étnica ou território ocupado, apontando ainda para a dissociação entre a perceção pública sobre Israel e as cumplicidades de muitos governos com o país. Chamou a imprensa a aprofundar a narrativa que envolve famílias e comunidades, além dos números de mortos.
A jornalista descreveu o trabalho na Cisjordânia como emocionalmente exigente e afirmou que, por ser descendente palestiniana, cada saída de casa para investigar pode representar risco pessoal. Refletiu sobre a necessidade de cobrir o impacto humano do conflito, não apenas os efeitos diretos.
Dados oficiais indicam 809 mortes e 2.267 feridos em ataques israelitas desde o cessar-fogo na Cisjordânia, e a recuperação de 761 corpos. Desde o início da ofensiva na Faixa de Gaza, as autoridades registam pelo menos 72.585 mortos e 172.370 feridos.
Entre na conversa da comunidade