- A escritora Olga Tokarczuk afirmou que a literatura é “perigosa para jovens mulheres” e disse ter escrito Empúsio como uma vingança contra o cânone literário dominado por homens.
- Em sessão no festival Babell, no Porto, destacou que para entrar no mundo clássico é preciso deixar parte da feminilidade, tornando Empúsio uma resposta à tradição.
- Empúsio, lançado em 2022 na Polónia, situa-se num sanatório na Silésia em 1913 e dá voz às mulheres como paródia da Montanha Mágica de Thomas Mann.
- Tokarczuk reforçou a ideia de que a literatura dialoga com o consciente e o inconsciente, e que o leitor pode saber mais sobre o que a autora escreveu do que ela própria.
- O Babell decorre até segunda-feira, contando com presença de Margaret Atwood, tradução com recurso a IA e um orçamento superior a 3 milhões de euros pela Livraria Lello.
A escritora polaca Olga Tokarczuk afirmou que a literatura pode ser perigosa para mulheres jovens. Em defesa da sua obra Empúsio, disse que o livro é uma resposta ao cânone literário dominado por figuras masculinas. A conferência fez parte de uma sessão no festival Babell, no Porto, com moderação de Marta Bernardes e leituras de Ana Celeste Ferreira.
Tokarczuk, vencedora do Nobel de Literatura em 2018, explicou que Empúsio, lançado em 2022 na Polónia, questiona o legado de obras como a Montanha Mágica de Thomas Mann. O enredo acompanha um grupo de homens num sanatório da Silésia, em 1913, que criam uma paródia da obra Mann para dar voz às personagens femininas.
Durante a apresentação, a autora discutiu a relação entre masculinidade e o lugar da mulher na literatura ocidental, enfatizando que a obra incentiva o diálogo entre gerações literárias. A sessão decorreu com legendagem em tempo real e apoio de inteligência artificial à tradução, que já tinha gerado dúvidas noutras ocasiões.
Babell e contexto da apresentação
A sessão em que Tokarczuk participou integrou o programa do festival Babell, que se realiza no Porto até segunda-feira. Entre os convidados figuram nomes como László Krasznahorkai, Salman Rushdie e Dwayne Betts, num cartel de sessões, cinema e concertos financiado pela Fundação da Livraria Lello, com apoio da Câmara do Porto.
A autora revelou ter escolhido a escrita como uma obsessão desde a infância, cresceu rodeada de livros porque o pai era bibliotecário e descreveu a escrita como uma prática instintiva, sem formação formal. Defendeu ainda o papel da investigação na criação literária, afirmando que o livro pode revelar mais do que o autor.
Margaret Atwood também marcou presença na plateia, numa sessão anterior do festival. Os participantes podiam escolher entre traduções em polaco para português ou em português para polaco, num público que excedeu mil pessoas.
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