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Herdeiro da Ray-Ban quer comprar participação na marca de luxo

Litígio familiar na Delfin pode tornar Del Vecchio o maior acionista, alterando o controlo da família na Delfin e na EssilorLuxottica, com cerca de 10 mil milhões em financiamento

ARQUIVO. Diretor de retalho do grupo Luxottica, Leonardo Maria Del Vecchio, à esquerda, posa com amigos durante o 20.º Festival de Tribeca, em Nova Iorque, em junho de 2021
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  • Leonardo Maria Del Vecchio, filho do falecido fundador da EssilorLuxottica, pediu ao conselho da Delfin que apoie a compra de 25% da participação dos irmãos Luca e Paola, elevando a posição para 37,5% e tornando-o o maior acionista.
  • O plano de aquisição envolve cerca de mil milhões de euros de financiamento, com o UniCredit, o BNP Paribas e o Crédit Agricole entre os bancos avaliados para financiar a operação.
  • A iniciativa chega dias antes da votação decisiva dos acionistas da Delfin, a holding sediada no Luxemburgo que está no centro do império familiar.
  • Del Vecchio acusa o conselho da Delfin de não explicar a mudança de posição face ao negócio e afirma que as dúvidas surgiram após a aprovação de partes da operação e da reorganização descrita como estabilizadora.
  • A Delfin detém participação relevante na EssilorLuxottica e atua em instituições financeiras italianas como Banco Monte dei Paschi di Siena, Assicurazioni Generali e UniCredit; há ainda uma possível contraproposta de Francesco Milleri, que poderá recomprar as participações dos irmãos e redistribuí-las entre seis herdeiros, a ser apresentada na reunião de 30 de junho.

Leonardo Maria Del Vecchio, herdeiro da família por trás da Ray-Ban, pediu ao conselho da Delfin que apoie um plano de compra de participação dos irmãos Luca e Paola. A operação envolve cerca de 10 mil milhões de euros e ocorre dias antes de a Assembleia de Accionistas decidir sobre o futuro da holding.

A Delfin detém uma posição relevante no grupo EssilorLuxottica, bem como em instituições italianas como UniCredit, Generali e Monte dei Paschi. O objetivo é aumentar o controlo familiar sobre os ativos da dinastia de forma decisiva.

Del Vecchio publicou uma carta aberta na imprensa italiana, criticando a falta de explicação do conselho sobre mudanças na posição do negócio. Ele sustenta que a reorganização foi apresentada como estabilizadora, mas não houve transparência.

Controvérsia de financiamento

O plano financeiro envolve empréstimos significativos, com bancos como UniCredit, BNP Paribas e Crédit Agricole a financiar a aquisição. Del Vecchio denunciou que as instituições exigiram garantias adicionais sobre dividendos e orientação de longo prazo.

Segundo o jornal La Repubblica, a Delfin pondera uma contraproposta. A ideia é recomprar as participações de Luca e Paola pela mesma valorização e redistribuí-las entre os seis herdeiros remanescentes.

Perspetiva para a reunião

A reunião de 30 de junho pode definir o curso da Delfin, afirma Del Vecchio. O herdeiro descreveu o encontro como crucial para a “natureza e o futuro da Delfin”, não apenas para dividendos ou balanços.

Caso a alternativa de recondução de participação avance, o equilíbrio entre herdeiros pode sofrer alterações relevantes para o controlo do império do grupo de óculos. A situação mantém-se em aberto até ao desfecho da assembleia.

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